Desde cedo, impõe-se ao homem a necessidade de fazer distinções, separando pessoas, objetos e fatos em razão de afinidades e antagonismos que os mesmos causam. É desejável que o ato de decidir se desenvolva em razão do aprendizado e do amadurecimento daquele que busca a construção de um sentido para a própria vida, enriquecendo a si mesmo e ao próximo num continuo vir a ser. Saber escolher configura-se como uma habilidade de valor inestimável, pois quem a aprimora encontra e explora oportunidades em todos os campos da vida. Já aqueles que escolhem mal, arcam com consequências de seus feitos que levam a uma progressiva redução de suas perspectivas, limitando o campo para o plantio de novas sementes e exaurindo o crescimento do próprio futuro. Ao valorar o que caracteriza uma decisão ou escolha como positiva, separando-a daquelas negativas, temos o genuíno e verdadeiro compromisso com o que é de fato bom, não apenas a interesses e paixões momentâneas e egoístas, mas pela convicção de que nossas ações estão assentadas em princípios fundamentais e universais ao bem comum. Se é compreensível que na juventude sejamos tomados pela falsa sensação de onipotência, é preciso lembrar que logo virão os outonos para nos despir frente a nós mesmos, oportunidade na qual os frutos de outrora já estarão crescidos e serão inegáveis em sua qualidade essencial, seja ela doce ou amarga como o fel. Assim marca o homem sua história em todas as suas escolhas, alimentado sua alma hoje com os frutos de dias passados, o que deveria ser mais que suficiente como oportunidade de auto-correção para novos e melhores plantios. Enganam-se aqueles que ignoram a importância das pequenas escolhas, pois nelas está a essência do que habita em seus corações a reproduzir o impulso característico que lhes molda o destino. A sabedoria começa com a observação honesta das colheitas, com a atenção aos aromas, com a textura dos frutos, pois são eles que mostram a força das sementes. Existe beleza e dignidade no reconhecimento íntimo de que a terra foi mal arada, que as sementes foram mal escolhidas, por que neste ponto existe a possibilidade de novas escolhas para uma vida mais feliz!
Marcelo Prates é consultor empresarial