08 de julho de 2026
Artigo

Suicídio, Qualidade de Vida e Segurança

Por Redação |
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O Senado Federal aprovou na quarta-feira (3) um projeto de Lei que Institui a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio alterando uma outra Lei do ano de 1998. A iniciativa é pertinente e relevante, diante dos estudos da Organização Mundial de Saúde de que poucos são os esforços em programas voltados à prevenção e promoção da saúde mental e social.

Acredito que não seja incomum “conhecer alguém que possa pensar em suicídio”, desejar se livrar de um sofrimento por meio do suicídio. Isto nos afeta porque esse fenômeno possui causas múltiplas, que atinge todas as camadas sociais, faixa etária e gênero. Notoriamente “o suicídio grita”.

Quando uma pessoa alcança seu intento, passamos a questionar os motivos e, por vezes, procurar um culpado. O que se pode afirmar é que detrás dessa decisão há o desejo de livrar-se de um sofrimento, externar uma vingança, chamar a atenção ou entrar para história. Sabe-se que vários acontecimentos podem servir de gatilho para o ato, contudo associado a esse comportamento há uma história de vida e uma combinação de fatores biológicos, emocionais, socioculturais, ambientais e até religiosos.

Nós não somos orientados para identificar os sinais, mas eles existem na maioria dos casos de morte voluntária. Às vezes, eles vêm nas palavras, por exemplo, que não vê mais graça na vida, que quer “terminar com tudo”. Há também alertas que se confundem com sintomas de depressão: mudanças bruscas de humor, recolhimento, tristeza, ansiedade, uso de álcool e drogas, agitação e desesperança.

O que fazer? Se você achar que alguém esteja pensando em se matar, a orientação é simples: converse de forma direta e sem julgamentos. Tente identificar em que estágio essa pessoa se encontra. A ideia passa pela cabeça ou já avançou para o planejamento? Com delicadeza, ofereça ajuda e sugira procurar um especialista (psiquiatra ou psicólogo) porque ele poderá fazer esse diagnóstico.

E mais importante, ouça, ouça e ouça. Muitas vezes, ter com quem conversar é o que eles mais precisam. Seja generoso e evite dar opiniões. A dor do outro nós nunca conseguimos alcançar.

Paulo Augusto Leite Motooka é coronel da PM