Um vídeo do vereador Daivison Martinelli quase que exigindo das empresas de Três Lagoas a não contratação de trabalhadores de Castilho, e sim do seu município onde também existem milhares de desempregados, soou aos castilhenses como um preconceito e uma ingerência na gestão das empresas treslagoenses.
Seria a criação de um novo mecanismo de cobrança dos benefícios fiscais concedidos para que empresas paulistas se mudassem para o vizinho estado do Mato Grosso do Sul? Muitas já pagam os impostos. A base dessa polêmica foi incentivada por um morador de Castilho mesmo que, procurando espaço político de destaque e interessado em concorrer nas próximas eleições, instigou os políticos de Três Lagoas para que reclamassem contra a contratação de castilhenses. Quanto pior para a prefeita Fátima, melhor para o opositor. Será?
E o assunto está provocando milhares de manifestações pelas redes sociais. As empresas que se beneficiaram de incentivos fiscais e se instalaram em Três Lagoas, levam diariamente da cidade de Castilho, mais de 500 trabalhadores. Segundo dados não oficiais, seriam mais de 800 paulistas também de outras cidades. Alguns há mais de uma década. Pouco mais de meia hora de ônibus.
Alguns empresários de Três Lagoas oferecem o transporte gratuito. Outras pedem ajuda das prefeituras da região. No caso de Castilho existe subsídio de até 50% no preço da passagem. E essa semana, um vídeo do setor de Balcão de Empregos da Prefeitura de Castilho, anunciou 60 vagas numa indústria de Três Lagoas. Foi a gota d’água para que se desencadeasse um clima de terror entre as duas cidades.
O que era apenas uma “guerra fiscal”, corre o risco de se tornar uma “guerra humana” de preconceitos e cerceamentos, de intolerância e divisões.
Os empresários contratam trabalhadores de Castilho, certamente porque a oferta da mão de obra paulista, preenche melhor as necessidades. Mesmo que seja uma vantagem de menor custo da mão de obra, ainda assim teriam a liberdade de contratar. Não fazem isso com os haitianos, nigerianos, por que não fariam com os desempregados de Castilho?
Antônio José do Carmo é jornalista