As pessoas passam anos trabalhando, algumas, ao se aposentarem, devido a sua atividade, com sequelas que muitas vezes o corpo não suporta as dores. Outras, com problemas de memória, síndromes do pânico, levados por conta do exercício cotidiano do cérebro.
Seja a atividade física ou as exercidas mentalmente, ambas causam “feridas” que nunca cicatrizarão. Algumas ainda voltam ao trabalho por não conseguirem se desprender, outras por necessidade e existem aquelas que tentam viver dignamente em uma sociedade que muitas vezes não os aceita por estarem em outro momento da vida.
Com o alto índice de desemprego, passam a ser perseguidos por terem ficado no mercado de trabalho e os que se aposentam por utilizarem dos serviços públicos e privados com “privilégios” concedidos por Lei, por mérito, uma vez que ajudaram a construir o país durante quase toda a sua vida. Mas imaginem, todos os dias, os idosos sendo malhados nos pontos de ônibus por não pagarem suas passagens, ocupando o lugar daquele que paga, como se os idosos não fossem mais cidadãos. Nas filas dos bancos, onde são atendidos em caixas prioritários, como se não fizeram durante a vida por merecer tal reconhecimento.
Muitos idosos são esquecidos por suas próprias famílias, que os abandonam em asilos para que não tenham o “trabalho” de cuidar daqueles que, um dia, trocaram as cacas de suas fraldas sem reclamar.
Aí vem o Governo e quer colocar ainda mais peso sobre o idoso no Brasil, ao tentar implantar uma Reforma da Previdência que afeta não somente os trabalhadores na ativa, mas também os idosos, que como já não bastasse o fardo que carregam junto à sociedade, ainda terão de mendigar por serviços públicos de saúde e assistência social, cada vez mais precários, por não terem condições dignas de sobreviver.
Temos de olhar os Idosos hoje e tratá-los com dignidade, respeito e amor pois, amanhã, nós o seremos também.
Fernando Zar é secretário-geral do PT