A bagunça que o chanceler Ernesto Araújo está fazendo em relação ao nazismo causa vergonha alheia nacional e internacional. Professores de História tentam esclarecer o assunto nas redes sociais, mas a militância bolsonarista repete o mantra, faz ilações a partir de raciocínios equivocados e confronta fatos históricos comprovados e documentados. A questão não se trata de opinião. É o mesmo que olhar para um vaso azul e dizer que, na sua opinião, ele é amarelo.
Em “Minha Luta”, Hitler escreve sobre seu ódio pelo comunismo e pelo marxismo. Mas, como a sigla do partido traz as palavras “socialista” e “trabalhadores”, é o suficiente para afirmarem que o nazismo é de esquerda. Isso deve (e é, por gente séria) ser analisado no contexto alemão do período entre as duas guerras mundiais. Tentar reescrever a História a seu modo é uma prática ditatorial; Hitler o fez de várias maneiras, inclusive ao tentar extirpar a Alemanha de judeus, também associados ao marxismo por conta da origem judaica de Karl Marx.
O presidente Bolsonaro foi ao Centro Mundial de Memória do Holocausto, em Jerusalém, que reúne acervo sobre os 6 milhões de judeus mortos a mando de Hitler. Este museu tem caráter pedagógico e ensina, entre outras coisas, que o Nazismo é um movimento da extrema-direita. O presidente entrou e saiu sem aprender nada.
Já que estamos falando sobre nazismo, chamo a atenção para algo mais interessante e menos debatido. Houve uma única mulher que transitou entre a cúpula masculina do poder partidário com liberdade e autoridade concedidas pelo próprio Hitler. É Leni Riefenstahl, considerada a maior cineasta de todos os tempos e responsável pelos exímios documentários de propaganda que fez para o 3º Reich. Morreu com 101 anos e passou a vida dizendo que não era nazista.
Sua principal obra, “O Triunfo da Vontade”, traz discursos contra o comunismo. Ela transformou a cartilha de Hitler, “Minha Luta”, em filme; apesar do conteúdo nocivo, é cinema como jamais será feito novamente. Se você, assim como presidente e o chanceler, tem fé na opinião acima dos fatos, veja o filme.
Fernando Verga é jornalista