08 de julho de 2026
Artigo

O custo do abandono emocional

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Em época de grandes avanços intelectuais, científicos e tecnológicos, é possível observar também o avanço das perturbações sociais – como a criminalidade e a violência – estampadas na face da sociedade contemporânea. Estamos vivendo uma grande catarse social: feminicídios, estupros, intolerâncias, corrupções, atentados, suicídios, a desestruturação da base social, a família e o triste abandono da infância.

A vitimização por homicídios de jovens de 15 a 29 anos é fenômeno denunciado ao longo das últimas décadas, mas que permanece sem a devida resposta em termos de políticas públicas que efetivamente venham a enfrentar o problema. Quando crianças e jovens aderem à pulsão de morte e destruição, significa que a vida não é importante.

Aprendemos a dominar algumas forças da natureza, a construir diques, barragens, abrigos, porém, não conseguimos nos dominar emocionalmente nem tampouco nos conhecer.

A sociedade, de modo geral, vem pagando um preço alto por não compreender o papel e a responsabilidade de cada um na esfera social e humana. O transtorno mental e os distúrbios de comportamento se multiplicam: já não sabemos como agir.

Para se ensinar na escola não serão apenas necessários “um livro, uma caneta, uma criança e um professor”, como assinalava Malala Yousafzai, ativista paquistanesa. Precisaremos de apoio de profissionais da área da saúde, como neuropediatras, psicólogos, psicopedagogos, psicanalistas, dentre outros.

Nossas crianças estão se desenvolvendo de maneira frágil, sem sentimentos éticos, como a empatia, a compaixão, juízo crítico e capacidade de suportar limites. Os pais têm medo de serem “pais”, deixando o posto vazio ou temporariamente fora da área de serviço, com possibilidade de outros assumirem o papel tão fundamental que é a educação integral do ser humano.

A frustração deve voltar a fazer parte da lição de casa, pois dizer “não” é um desafio que precisamos enfrentar com maturidade. Estabelecer limites é oportunizar que a criança se adapte à realidade e aprenda a conviver e superar os conflitos advindos do seu meio social, em qualquer tempo.

A frustração, a ansiedade, a disputa e a privação fazem parte do aprendizado das crianças tanto quanto o amor, o respeito, a solidariedade e a fraternidade.

A segurança emocional das cruianças e jovens é que está em jogo. Promover e organizar o ambiente familiar saudável é – sem sombra de dúvida – a única luz no fim desse túnel chamado sociedade contemporânea. Caso não amadureçamos essa ideia e planejemos outras ações, continuaremos fragilizados e temerosos pelo amanhã.

Jane Maiolo é professora na Rede Municipal de Jales e pós-graduada em psicopedagogia. Vice-presidente da Sociedade Espírita Allan Kardec, naquela cidade. Descreve esta Face Espírita/Ano 11 para publicação na Folha da Região.