Circunstâncias em que homens e mulheres matam e morrem tendem a ser diferentes. Diferem tanto em padrões quanto em motivações. Homens morrem e matam, quase sempre, em contextos competitivos, e quase não há similaridade com o padrão feminino quando matam e morrem. A maioria dos assassinatos de mulheres é cometida por homens, peça chave no entender do porquê mulheres são mortas. Dado assustador, mulheres são mortas por maridos, similares e outros tipos de relações que sugerem motivação sexual. Psicologia, ferramenta central para compreender onde, quando e por quê, o feminicídio, ocorre. A agressividade em machos humanos e animais ocorre quando recursos essenciais são ameaçados ou usurpados por rivais. Via de regra, agressividade se ativa em contextos de competição masculina. Embora apresente vantagens competitivas na disputa de pares, esse tipo de adaptação cerebral hostil é desastrosa em outros domínios das relações humanas, sobretudo relações amorosas. Uma verdade da espécie que homens precisam aceitar: mulheres não são monogâmicas. Sentem desejo e atração sexual por outros homens. A percepção no viés machista interpreta ações femininas como pistas de intenções sexuais extraconjugais intensificando domínios específicos do cérebro masculino especializados para a agressão, o que produz comportamentos de violência física e psicológica na tentativa de controlar as mulheres. O feminicídio é um epifenômeno, um efeito colateral, produto acidental da evolução, precisa ser entendido e combatido. É a manifestação extrema de conflitos e violências não letais cotidianas, como ciúmes extremo e proibição de roupas, coisas, lugares, amigos ou redes sociais. Estas podem não evoluir em risco em cérebros saudáveis, mas podem ser perigosas em pessoas instáveis e com traços baixos de amabilidade. Ameaça de morte é a técnica de controle mais utilizada por agressores, mulheres que a sofrem conhecem os riscos e perigos. É aí que o medo as paralisa. Medo é o que o abusador deseja que você sinta. Por isso, ele te chama de p… Assim chamamos mulheres livres e para ofender o homem, humilhamos a mulher. São duas ofensas, “corno” e “filho da p…”.
Rui Matheus Joaquim é psicólogo