Para Cecília Meireles “Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.” A autora deixa claro que discutir liberdade é algo sempre muito complicado. Este artigo propõe uma reflexão sobre até onde vai a sua liberdade num sistema capitalista periférico como o brasileiro.
Quando olhamos para os países com sistema político socialista, tomamos um susto, porque, logo de início, percebemos que temos várias liberdades que esses países não têm. Na Coreia do Norte carregar uma Bíblia pode acarretar sérios problemas, como o do pastor americano Jeffrey Fowle que ficou preso por seis meses depois de esquecer uma Bíblia no banheiro de um restaurante.
Também ouvimos falar que os cubanos são proibidos de viajar e que no capitalismo viajar é sempre permitido. Então, aproveitando essa liberdade, gostaria de convidar todos os leitores a viajar para Londres no próximo sábado. Por que não vamos todos juntos para Londres? Porque não temos dinheiro para isso. É aí que a nossa suposta liberdade de viajar encontra uma grande barreira criada pelo próprio sistema capitalista.
E a liberdade religiosa? Você tem quando é católico, evangélico ou espírita. Outras religiões sofrem preconceito, são mal compreendidas e seus espaços são desrespeitados.
A liberdade de expressão política tem ficado cada vez mais perigosa. Em poucos anos, tivemos o assassinato da vereadora e ativista Marielle Franco, ameaças a ministros do STF e aos deputados Jean Wyllys e Marcelo Freixo. Tivemos também vários casos de agressão física envolvendo militantes de direita e esquerda.
Essa semana, tivemos mais um sinal que demonstra que a liberdade está sob ameaça. Comemorar a ditadura militar é comemorar a falta de liberdade, é compactuar com a tortura, com a censura, com tudo que existe de pior. É preciso lutar por liberdade sempre. Não existe excesso de liberdade.
Fernando Anhê é professor universitário