Dia 02 de abril foi instituído pela ONU, em 2008, como Dia Mundial da Conscientização do Autismo. A data visa conscientizar a população mundial sobre esse transtorno do neurodesenvolvimento que atinge cerca de 70 milhões de pessoas no mundo, alertando sobre os sinais, derrubando preconceitos e ajudando no esclarecimento.
Isso é importante porque raramente procuramos saber sobre algo que não nos afeta diretamente. Eu não sabia. Até que aos 3 anos de idade, minha filha mais nova, linda, inteligente e sorridente foi diagnosticada autista. Não há um exame que confirme o Autismo de modo que o diagnóstico é clínico e deve ser feito por profissionais especializados. A tríade de sintomas do Autismo incluem: problemas de comunicação, de interação social e comportamentais.
E é de máxima importância que esse diagnóstico seja feito o mais precocemente possível para que o prognóstico seja bom. Isso porque quanto mais rápido e intensivamente se comecem as terapias, mais chances de se desenvolver as habilidades afetadas pelo transtorno. Hoje já é possível diagnósticos à partir de um ano e meio. No último relatório publicado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (rede CDC), dos Estados Unidos, foi apresentada estimativa de números de casos em 1 autista para cada 59 crianças. Isso significa, por exemplo, que num futuro próximo possa haver um autista em cada sala de aula. Começa-se a entender a urgência em divulgar o tema.
Tendo sido detectado o autismo, o seu tratamento é multidisciplinar, podendo incluir médicos, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogas, terapeutas ocupacionais, dentre outros. E, bem conduzido, o tratamento rende bons frutos. Minha filha tem evoluído lindamente, resultado de um trabalho em equipe: família, equipe terapêutica e escola. Como diz um provérbio africano: “É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança.” Essa teia de pessoas ao redor da vida dela faz uma enorme diferença e nos faz acreditar num futuro melhor. Eu agradeço diariamente a cada um dos que fazem parte da nossa “aldeia”. Obrigado.
Ana Laura Almeida é cirurgiã dentista