Uma combinação explosiva de desajustamento afetivo, impulsividade, sentimento de rejeição e desejo de retaliação. Um assassinato em massa (AM). A causa é multifatorial e raramente se relaciona com condições psicóticas embora expresse condições de sofrimento psíquico de modo frequente com desfechos suicidas. Jovens que executam esse tipo de crime apresentam traços de personalidade que envolvem alto neuroticismo e intensa frequência na expressividade de emoções como raiva, desprezo e nojo, que elaboradas de forma perigosa por meio de um sentimento de vingança, pode produzir emoções secundárias como a crueldade. Raiva, desprezo e nojo são emoções morais. Existem gatilhos sociais para cada uma delas. A raiva se expressa sempre que se tem uma sensação de violação da autonomia ou tolhimento de liberdade. Quando nos sentimos privados de direitos individuais e sobretudo injustiçados. O nojo, se relaciona a uma violação do código do sagrado, da pureza, expresso na forma de um sentimento de aversão ao que é associado ao sujo e impuro. O desprezo, surge do sentimento de superioridade, de hierarquia, de por algum motivo, sentir-se melhor do que o outro. O bullying consiste em uma atitude geradora de todas essas emoções. Anterior ao bullying e de carona em afetos negativos, se instala nas pessoas o viés da identidade social, a identificação ou não dos indivíduos como pertencentes a um grupo. Ao sentir-se pertencente ou rejeitado, o cérebro pode ser tomado de afetos negativos e o córtex pré-frontal fica menos ativo, por isso pensa menos, e por não "pertencer" ao grupo, desumaniza com maior facilidade tanto aqueles que serão alvos de prática de bullying quanto aqueles que sofrerão retaliação de quem sofre o bullying. O viés de grupo antecede o bullying. Nossa identidade social mal dirigida cria uma divisão, um "nós" e "eles". A consequência é o viés de favoritismo do grupo, desqualificação e direção da agressividade para grupo diferente. O extremo viés de grupo e agressividade dirigida ao "rival" não está enlouquecendo e matando apenas as nossas crianças. Está destruindo amizades por meio da polarização política.
Rui Mateus Joaquim é psicólogo