Tenho acompanhado as discussões acaloradas das últimas semanas sobre violência, desemprego e desprestígio de instituições basilares de nossa sociedade como a família e a escola. Gostaria de tocar, neste artigo, no cerne de todos estes problemas: a juventude.
Em minha experiência em instituições como as polícias Mirim e Militar, e atualmente na Prefeitura de Araçatuba, tenho percebido que os cidadãos com idade entre 14 e 24 anos têm sido muito pouco aproveitados. Relegados ao ócio ou submetidos a empregos que pouco acrescentam em aprendizado e financeiramente, parcela deles passa a uma situação de vulnerabilidade. Assim, ficam expostos às coisas ruins que levam ao crime ou ao subemprego eterno que os deixará em um ciclo perverso de má qualidade de vida.
Estudos apontam que o Brasil não alcança 1% no aproveitamento de sua população jovem para a força de trabalho. De acordo a Organização Mundial do Trabalho (OIT), a Suíça, a Austrália e a Alemanha têm cerca de 4% do seu contingente profissional formado por aprendizes.
Estamos longe, portanto, de fazer valer o Estatuto da Criança e do Adolescente e de entender, como sociedade, que a valorização da aprendizagem é uma marca de economias avançadas. É preciso que o empresariado brasileiro entenda que dar a primeira oportunidade a um jovem não é um meio de explorar mão de obra barata e nada tem a ver com filantropia.
A aprendizagem é uma passagem para que adolescentes e jovens para uma vida mais justa e perfeita. Por meio da educação pelo trabalho, o Brasil precisa transformar o primeiro emprego em uma forma de democratização de capacitação teórica e prática. Que no ambiente de trabalho, os aprendizes não seja apenas carregadores de caixas ou ajudantes rasos. Eles precisam aprender e ser periodicamente avaliados.
Lidando com uma quantidade controlada de responsabilidades, eles terão a oportunidade de desenvolverem-se como cidadãos. Estando em um estado produtivo e com projetos de futuro, ficarão longe do ócio, das drogas, passando a estar aptos a construírem um mundo melhor.
Deocleciano Borella Júnior é
chefe de gabinete da Prefeitura de Araçatuba