A escola em Suzano, palco do tiroteio que dizimou a vida de 10 pessoas, incluindo os atiradores, é mais uma das tragédias anunciadas que vêm assolando o “patropi” cantado por Jorge Ben. Não existem motivos, justificativas. Nada. O que existe é uma necessidade urgente de que as famílias se conscientizem da importância do contato humano e afetivo entre seus membros.
Vai dar um recado? Manda um WhatsApp. Vai fazer um convite? Manda um WhatsApp. Vai cumprimentar pelo aniversário? Manda um WhatsApp. Vai fazer uma festa para comemorar o ‘cumpleaños’? Manda um WhatsApp. Chegou ao local da festa, muita gente, comida, bebida, música, conversas, barulho, vida! Manda um WhatsApp para pessoas que não estão neste local para interagir, pois sentem-se sozinhos o tempo todo.
Crianças brincando de jogos de tabuleiro, pique-esconde, pega-pega, betia, roda… Alguém dessa geração conectada, à qual me incluo e incluo todos vocês que hoje leem este texto, sabe o que é ou ainda vê esse tipo de atividade com frequência? Causa estranheza as crianças brincando na rua, na terra (ah… mas não pode! Acabou de tomar banho! Vai pegar bicho geográfico), na areia, no mato, com bichos. Criança que é criança, que teve infância, provavelmente teve piolho. Ai que horror! É isso mesmo, ou melhor, pediculose, é mais bonitinho e nem todos sabe o que é.
Crianças e jovens alienados, que não sabem andar pelas ruas das suas cidades, não possuem liberdade para ralar o joelho e arrancar o tampão do dedão do pé, que nunca usaram merthiolate raiz, não são crianças. Essa geração ‘dedinho’ (no tablet, no PC, no celular) é um fracasso. Falo isso por mim e por muitos. Mas é culpa de quem serem ‘loosers’?
Quem está procurando um culpado, está com sérios problemas. Aliás, procurar culpados para os próprios erros é uma das atitudes mais comuns das pessoas mimadas que não conseguem entender aquilo que fazem de errado. Assumir os erros é o começo de tudo. Seu filho foi mal na prova? “Não tem problema, filho. Estude mais na próxima vez”. Faz parte do aprendizado. Seus filhos brigam o dia inteiro e um culpa o outro? Está na hora de ensiná-los um jargão, mas que é a mais pura verdade: “quando um não quer, dois não brigam”. E de quem é a culpa? Dos dois! Façam com que entendam isso. Não é porque um é menor, mais fraco, mais quieto, que ele também não é culpado dos problemas nos quais se envolve.
Problemas existem. O que falta é pessoas aptas e capazes a buscar as soluções. Crianças que não precisam nem pensar no que vão comer porquê já acordam com tudo pronto… Encontrar soluções ou pensar, para quê? Famílias com muito dinheiro e nenhum valor. Um mundo onde o ‘ter’ vem antes do ‘ser’.
As tragédias que estão acometendo não só o Brasil, mas o mundo, neste início de ano são inexplicáveis? Por um ponto de vista, sim. Mas por outro, a assim chamada “Profecia de Chico Xavier” demonstra que os desastres que estão acontecendo, principalmente os naturais, são uma forma da divindade limpar todo o mal e interferência que o homem tem causado na Terra. Essa profecia data de 50 anos após a chegada do homem à lua (1969), que seria o prazo dado por Deus para que os homens “melhorassem”. Se tudo continuar desta maneira, é possível que o planeta fique devastado por ainda mais desastres e tragédias como a de Suzano, a Colombine brasileira, história da qual um dos atiradores era “fã”.
Ana Cenci é jornalista e advogada