Os jornalistas voltam a ter mais valor. São eles os guardiões da verdade. Pode ser até que o leitor ou internauta, telespectador, ouvinte ou leitor tenham opiniões diferentes de interpretações, mas o jornalista está comprometido em dizer o que viu, o que ouviu, o que confirmou com observação, levantamento de dados e entrevistas. São os jornalistas quem checam as informações.
Mas, espalhar fatos falsos é fácil. Basta pegar o jeito certo de enganar quem tem pouca cultura. Observando muitas vezes os erros absurdos na digitação ou narração pelas redes sociais, já é possível eliminar a importância delas. Muitos vão morrer sem entender o que leu.
Imagine quem nunca escreveu uma redação, quem saiu da escola sem fazer uma leitura, quem jamais leu um livro, discutiu temas complexos ou participou de seminários, debates, ou defendeu uma argumentação digna de ser avaliada. Essas pessoas, em geral com três ou quatro palavras no vocabulário, de repente se vêm com possibilidade de serem vistas e ouvidas por milhões todos aqueles ignorantes como elas?
Então a falácia sem fundamento é curtida pela população desinformada, que a exemplo de quem fez a crítica, vai dando valor e importância para a análise desvirtuada. Essa semana ficamos todos perplexos com a atitude da Rússia em estabelecer critérios criminais de alta punição para quem levanta crítica infundadas contra dirigentes do Governo. À primeira vista a interpretação da mídia no mundo foi do renascimento da censura e o controle maléfico da informação.
Quero acreditar que a melhor forma de se combater essas inverdades, é valorizando cada vez mais o jornalista. Pena que nosso Sindicato é tão distante dos mesmos princípios da OAB - Ordem dos Advogados do Brasil. O Brasil e os jornalistas não estão nem aí com a formação oferecida nas faculdades. A OAB também não.
A diferença é que a OAB realiza uma prova de avaliação que praticamente faz a reserva de mercado para seus profissionais, e na imprensa, além de não se exigir faculdade, nem sempre se observa a competência de quem está escrevendo para narrar ou emitir opiniões.
Mesmo assim, o controle social sobre os jornalistas é bem maior e a própria concorrência de mercado, exige e conduz para o conhecimento da verdade.
Antônio José do Carmo é jornalista