Deparei-me esta semana sobre o que deveria escrever e percebi algo que já me incomodava desde as Eleições em 2014, com um ódio muitas vezes doentil, uma sede incansável por agressões e acusações que quase sempre tinham um teor visceral, com ameaças de morte, com palavras de baixo teor e pedindo até que uns se mudassem do país por acreditarem ser mais patriotas que os outros, uma verdadeira carnificina entre grupos de religiões diversas, familiares, amigos, partidários e tantos outros.
Convém lembrar que a Esquerda vinha de quatro vitórias em Eleições desde 2002 e em 2014 teve início uma das maiores ações de ataques a Democracia do país, não sendo respeitado pela Direita derrotada mais uma vez nas urnas o resultado e implantando um caos que viria a afetar através das pautas bomba no Congresso o andamento das ações do Governo Eleito. O país parou: crise, desemprego, busca por culpados, pessoas de ambos os lados se atacando, impeachment, um Governo assume sem pautas e tentando se firmar em meio a tantas denúncias de corrupção, o então candidato Aécio Neves, derrotado em 2014, caindo em diversas denúncias de corrupção. Enfim, a classe política totalmente desacreditada e eis que surge o Bolsonaro, que passou 28 anos como deputado e nem um projeto apresentou e nos que votou, sempre fora contra a Classe Trabalhadora, apareceu como alternativa nas Eleições de 2018 para a Direita, pois retratava em seus discursos o ódio pela Esquerda.
A disputa foi tão acirrada nas redes sociais, nas ruas, o ódio imperando, a tentativa de se ganhar no grito e não nas Ideias, aliás nem tinha como o Bolsonaro nem participava de debates, sua campanha foi toda pela Internet, e fora os fake news que dominaram as redes. Ao se digladiar, as pessoas esqueceram a razão e passaram a agir com o fígado, diria um amigo meu.
O ódio chegou a tal ponto que o neto do ex presidente Lula faleceu e pessoas comemoravam nas redes sociais como se fosse uma vitória. Ao Papa Francisco é atribuída uma frase que diz “Quando você comemora a morte de alguém, o primeiro que morreu foi você”.
Fernando Zar é advogado