Por não ser esse um ano de eleição, a Igreja Católica ficará menos pressionada para desenvolver sua campanha anual da Fraternidade, que se realiza durante o tempo quaresmal. Começa na quarta-feira de cinzas e termina no domingo de Páscoa.
A Igreja espera que o tema desse ano: “Fraternidade e Políticas Públicas” seja uma alavanca para que a nação se sinta encorajada a tomar as rédeas de sua história.
Não há um nome salvador para tomar conta da política. Qualquer que sejam os eleitos, a Constituição Brasileira concede à sociedade, o direito de exercer sua influência e até deliberar sobre a aplicação de recursos dos orçamentos públicos.
Todo mês de abril tem audiência pública para discutir o orçamento das prefeituras. Quantos sabem disso? Quem vai? E os Conselhos Municipais de Educação, atuam para que o conteúdo escolar seja aquele que o município defende?
Nas democracias, os políticos não fazem o que vem na cabeça deles. Suas atitudes dependem dos Conselhos Municipais em várias áreas: do Meio Ambiente à Saúde, Educação, Assistência Social e outros.
A Igreja da Diocese de Araçatuba começou bem a preparação da Campanha, quando convidou a vice-prefeita Edna Flor para falar sobre as formas de participação que permitem à sociedade não ser passiva diante das tomadas de posições dos governantes, mas que atue, fiscalize, sugira e comemore com conquistas populares.
O candidato Jair Bolsonaro dizia “A verdade os libertará”, citando uma expressão Bíblica. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil cita um versículo do profeta Isaías : “Serás libertado pelo direito e pela justiça”.
Com essa Campanha da Fraternidade, a Igreja se aproxima mais da Doutrina Social que o Papa Francisco espera dos católicos. A “igreja de saída” a qual se refere o papa, é aquela que não passa o dia nos púlpitos olhando para o céu, mas que atuem no mundo, para fazer cumprir a fraternidade com divisão dos talentos e das riquezas humanas e materiais. Como fazer isso?
A Igreja vai falar em doutrina cristã, e assim, se contrapor ao comunismo, socialismo, capitalismo e todas as ideologias que o papa considera “opressoras” e que invariavelmente acabam em ditaduras.
Antônio José do Carmo é jornalista