Temas de grande relevância vêm sendo tratados pelo governo federal nos últimos dias, assuntos que dividem opiniões, mas principalmente que mexem com a vida dos mais fracos, para ser mais direta, do pobre.
O principal tema é a reforma da previdência. Um problema que vem se arrastando através de administrações anteriores e caiu no colo do presidente Bolsonaro. A expectativa era de uma reforma que desse igualdade de direitos, porém o que vemos é o velho ditado "a corda sempre arrebenta do lado mais fraco", e novamente vamos ver milhões de brasileiros sofrendo pela inconsequência de erros passados.
Assim como as leis anticrimes que "atenua" a criminalização do Caixa 2, quem faz esse tipo de prática? Pobre? Não. Ou seja, não está havendo igualdade de tratamento.
O que falta para todas as administrações é um choque de realidade, é acordar com a prateleira sem comida, pegar ônibus para trabalhar às 4h da manhã (no horário de verão), dar uma passada no morro e assistir um confronto entre policiais e traficantes. Imaginar o avô deles trabalhando até os 65 anos como pedreiro, pintor, motorista, encanador.
Estava lendo o Estadão no dia 23 de fevereiro, e uma matéria me chamou atenção. Tratava-se do secretário especial de assuntos Fundiários do Governo Federal, Luiz Antonio Nabhan Garcia, no qual ele dizia que "o maior latifundiário do País é o índio’. Nesse caso, tratava-se de índios isolados.
Segundo o secretário, houve equívoco do Supremo Tribunal Federal na questão da Raposa Serra do Sol. Pois a decisão foi favorável a deixar os índios em seu ambiente. Ele ainda citou outro exemplo. "Lá na Amazônia Legal, no noroeste de Mato Grosso, houve um laudo antropológico dizendo que existe a possibilidade de ter ali de seis a dez índios isolados. Aí vem o governo com toda aquela parafernália e decreta a desapropriação de 500 mil hectares. O que é isso? Tem muita gente que critica o grande latifundiário, mas hoje o maior latifundiário do País é o índio. Não podemos transformar o índio em megalatifundiário".
Pois bem, retira-se os índios e coloca-se quem? Segundo o secretário, o que puder ser revertido na forma da lei "talvez a gente possa reverter". Na forma da Lei, aquela área pertence aos índios que lá estão. Esse tema será outro episódio de novela. Aguardem!
Kelly Taiacollo é jornalista