09 de julho de 2026
Justiça

Todo post poderá ser usado no tribunal

Por Redação |
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As redes sociais são uma realidade para a grande maioria da população brasileira, especialmente entre os mais jovens. Com o tempo, surgiu a preocupação – ao menos para algumas pessoas – da segurança em relação a essas informações disponibilizadas gratuitamente na rede mundial de computadores. É certo que é possível restringir o acesso a grupos específicos, porém são poucas as pessoas que tomam esses cuidados e, mesmo assim, não estão isentas do risco de fornecer a desconhecidos informações que, embora pareçam banais, dizem muito sobre você e violam sua privacidade.

Ao fazer check-in num restaurante, na igreja, no aeroporto ou em outra cidade, você está informando a um número desconhecido de pessoas que você não está em casa? Está dizendo que sua casa está vazia e, portanto, vulnerável.

O hábito frequente do check-in denuncia sua rotina e o torna suscetível a um sequestro relâmpago, por exemplo. Compartilhar fotos da família também expõe filhos e cônjuge. Alguns já perceberam que usar expressões como “sextou” logo no início da sexta-feira, comemorando a chegada do fim de semana, não soa muito profissional. Outros estão descobrindo, de forma desagradável, que tudo o que se compartilha em rede social pode ser usado contra quem compartilhou no Poder Judiciário.

Advogados, eu inclusive, têm cada dia mais utilizado as redes sociais para localizar devedores, seus endereços, empregos, fontes de renda e seus bens, sempre ostentados em fotos não muito bem enquadradas, mas que revelam um elevado padrão de vida, contrastando com aquele apresentado ao juiz no processo.

Pense num devedor de pensão alimentícia que se nega a pagar a pensão sob o argumento de estar desempregado, mas que frequentemente posta fotos na balada, em lugares caros, demonstrando um padrão de vida incompatível com o estado de pobreza alegado.

Toda selfie expõe o que está atrás do fotografado. Pode ser peças de decoração da sua casa, o seu carro, o lugar onde você está ou até a atividade que está realizando naquela oportunidade. Tudo isso é prova e milhares de processos estão sendo julgados com base nelas. Antes de compartilhar, pense mais uma vez.

Evandro da Silva é advogado