08 de julho de 2026
Artigo

Falta viver os fatos

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Primeiramente, perdão por não ter me apresentado na semana anterior. Quero agradecer este conceituado matutino pelo espaço cedido a este ‘antiquado ancião’. Peço perdão por não me comunicar por celular, não estar em nenhuma rede social e, especialmente, por enviar meus textos datilografados… Sim, obrigada a vocês, bravos jornalistas, por terem paciência com esse ‘vovô’! E, além dos meus agradecimentos, os comunicadores são dignos de aplausos e explico o porquê.

Nenhuma profissão vai do amor ao ódio em tão poucos segundos. Não. Não me refiro ao fato de que estes bravos guerreiros amam ou odeiam ser comunicadores, indo aos extremos em questões de segundos, quase que num misto de bipolaridade, aliás, tão inerente ao ser humano. A questão é justamente o dilema ‘amar-odiar’ que enfrentam os consumidores de notícias. Até mesmo veículos que gozavam de credibilidade inquestionável sucumbiram nas eleições passadas, não por terem mudado suas linhas editoriais, mas sim, por terem deixado claro demais suas vertentes. Deixo, neste momento, sua imaginação fluir e tirar suas próprias conclusões.

Nesta vertente, quem mais sofreu as consequências foi o jornalista profissional, aquele que vai às ruas (peraí, será que vai mesmo?), vê e ouve (tenho minhas dúvidas) os clamores populares, traz histórias (?) fantásticas (neste momento, já começo a questionar-me por todos os poros) e consegue transmitir, com palavras, os sentimentos de seus entrevistados (cri cri cri - Se você for um destes profissionais, ou conhecer algum, que me atire a primeira pedra).

O ódio contra os jornalistas, antes tidos como detentores de uma das profissões mais glamourosas, vem seguido da ausência de qualidades antes existentes nos tempos em que os gravadores e as canetas nunca cessavam. Curiosidade, persistência, compromisso com os leitores e não com conchavos políticos ou ideologias. Do tempo em que o jornalismo era feito nas ruas e que o jornal impresso (esse mesmo em suas mãos) continha, além do cheiro de tinta, o cheiro do medo, do pânico, do sangue, da felicidade, do sucesso, da compaixão. Por essas e outras, continuo adepto a boa e velha máquina de escrever, acredito que elas têm esse poder!

A. S. Vasconcelos é consultor de carreira