08 de julho de 2026
Artigo

Colar de âmbar para bebês funciona?

Por Redação |
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Muitos pais têm procurado colar de âmbar para seus bebês. Famosas como a modelo Gisele Bündchen e a atriz Bárbara Borges ajudaram a divulgar a moda. Os vendedores propagam seus benefícios: melhora do sistema imunológico e nervoso, atua como anti-inflamatório e relaxante muscular, aliviando o desconforto e irritabilidade que sentem na fase de erupção dos dentes de leite. Isso porquê, em contato com a pele do bebê, ele liberaria ácido succínico, substância presente no âmbar oriundo da região dos Bálticos (norte e nordeste da Europa).

Essa moda gera controvérsias, porque o verdadeiro âmbar é na verdade resina fossilizada de árvores de 50 milhões de anos, proveniente de uma variedade de pinheiros que desapareceram da superfície da Terra há milênios. Ou seja, é raro e valioso. Desse modo é fácil entender que, pela profusão de colares que vemos à venda, o mercado está inundado de imitações de vidro e plástico. O âmbar é morno ao toque, as imitações de vidro são sempre mais frias que a pele. Outra maneira de verificar sua autenticidade seria colocar duas gotas de acetona em uma das contas do colar. Se ficar pegajosa ou mudar de cor não é âmbar. E se for âmbar, a maioria não veio dos Bálticos.

Ao contrário do que divulgam alguns vendedores, não há comprovação científica alguma de sua eficácia. Desse modo a Associação Brasileira de Odontopediatria não recomenda o seu uso. O risco de estrangulamento existe. Assim como o risco de a criança engolir ou engasgar com as contas caso o colar se rompa. Vale lembrar que a principal causa de mortes por acidentes em bebês de até um ano é a sufocação.

Se mesmo assim os pais optarem pelo uso do colar é importante tomarem alguns cuidados: O fio deve ter um nó entre cada conta, pois, se ele se romper, apenas uma cairá; em qualquer idade, o colar deve ter entre 33 e 36 cm, para que não fique nem apertado nem frouxo; o fecho deve ser de rosquear e coberto, para que o bebê não consiga abrir; recomenda-se retirar o colar para dormir para evitar risco de asfixia, e durante o banho para evitar o desgaste do cordão.Outra opção é trocar o colar por pulseiras ou tornozeleiras para evitar o risco de sufocação. Mas, ainda assim, existe o risco de a criança levar as contas à boca.

Ana Laura Almeida é cirurgiã dentista