08 de julho de 2026
Artigo

Leprosos do século XXI

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min

“Eu sei que, se quiser, o senhor pode curar-me. Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: - Eu quero; fique curado! E, no mesmo instante, a lepra desapareceu!" (Mateus 8,2).

Se os políticos do Brasil quiserem também poderão curar os leprosos do século XXI, os zumbis (criatura cujo estereótipo se define, nos livros e na cultura popular, como um cadáver reanimado usualmente de hábitos noturnos - Wikipédia) - viciados em crack-, principalmente nas grandes metrópoles e, em especial na capital e maior cidade do país - São Paulo.
É só ter um olhar de Jesus Cristo para o problema!

Sou completamente ignorante no assunto (não sou petista que fica horas, dias, meses, anos a estudar o mesmo tema até se tornar mestre - preciso trabalhar para sobreviver), mas sempre ouço falar que viciado é problema de saúde pública, e como tal deve ser tratado.

O que me fascina e, ao mesmo tempo indigna, é ter acesso a informações por meio de reportagens feitas (em especial pela TV), sobre indivíduos que fazem parte desta sociedade criada pela modernidade. Há entre eles, médicos, psicólogos, músicos, artistas e profissionais de altíssimo gabarito nas mais diferentes áreas da vida urbana.

Será que ao invés daquilo que se faz uma vez ou outra, para agradar setores que se incomodam com o vai e vem desses seres bizarros (jogar todo o aparato policial sobre eles-, transferindo-os de um determinado local, até que se acomodem em outro menos visível), o poder público utilize seus servidores para que encontrem solução racional e definitiva a esse caos social, a maior incompetência da raça humana dos dias atuais?

Ora! Se é um problema de saúde pública, o estado tem a obrigação de solucioná-lo, ou não foi para isso que os políticos se candidataram? Será que querem um cargo eletivo só para continuar roubando o erário a exemplo do que fizeram os candidatos canalhas que se reelegeram, continuam residindo na mesma cidade e meteram a mão em mais de 33 mil reais do bolso do contribuinte - a título de ajuda de mudança?

Irrita constatar alguns babacas que querem crucificar o filho do presidente (se ele fez burrada, que pague, inclusive com a perda do mandato), com notícias diárias na grande imprensa, blogs, fake News, transferindo a atenção para um assunto menor, enquanto milhares de nossos irmãos morrem nas ruas, pela disputa de um naco do resto de cocaína.

Penso que dever-se-ia recuperar prédios desocupados nas grandes cidades, que existem aos milhares (não vai longe, só aqui em Birigui cito quatro: palácio dos professores, Câmara Municipal, na rua Santos Dumont, Rodoviária - parte da frente, e antiga Delegacia Central) para abrigar de forma decente essas pessoas que optaram por essa vida degradante.

Ao mesmo tempo, utilizar a expertise de profissionais da saúde pública - psicólogos, assistentes sociais, médicos, psiquiatras etc-; para dar o mínimo de sustentabilidade física, ao mesmo tempo em que profissionais nas áreas de educação e formação técnica se colocassem à disposição dos que desejassem aprender uma forma de sustentação financeira própria.

Não existem tantos prédios assim? A ocupação ficaria muito caro ao estado? Outra sugestão? Existem milhões de veículos velhos deteriorando-se sob o sol, ocupam espaços caríssimos que poderiam ser usados na construção de hospitais, escolas, unidades básicas de saúde etc. Peguem esses veículos, os transformem em cabines habitáveis e os instalem sob os viadutos das grandes cidades. Além de embelezar, acabaria com outro problema, a ocupação desses viadutos que se transformaram em verdadeiros mictórios - coisa nojenta!

Fica aí a sugestão, quem sabe em vez de asco pelo nosso irmão que perambula feito uma caveira ambulante, possamos abraçá-lo e acolhê-lo como um verdadeiro filho de Deus!

Nalberto Vedovotto é coach, jornalista e escritor em Birigui