"Perguntaram ao Batista, quem ele era? Respondeu: --- Eu sou uma voz que clama no deserto" (Jo 1,23).
Homem sem papas na língua, nosso personagem de hoje vai direto ao assunto. Indaguei as razões de se levantar em defesa dos interesses coletivos de Birigui por meio das redes sociais: "Alguém tem que defender a população! Você acha que um camarada que faz a gestão de três creches municipais fará isso? Até que ponto será isento?", respondeu na "lata".
A partir de sua capacidade de indignação ante uma imprensa comprometida com o poder político, toda semana produz uma "live", no Facebook. Corajosamente coloca o dedo na "ferida", e dá nomes aos "bois" sem temer a "chifrada" de algum "touro bandido".
Tem condição moral e expertise para falar o que pensa, senão vejamos:
Desde os 12 anos já estava na lida diária, trabalhava para ajudar no sustento da família, ao iniciar a aprendizagem de soldador, numa oficina que ficava na Avenida Governador Pedro de Toledo. Nos anos 80, da década passada, trabalhou nessa função na usina açucareira Zillo Lorenzetti, na cidade de Macatuba.
Com 17 anos começou a plantar suas primeiras árvores, e só na região do super "crechão", na vila Bandeirantes, plantou 76 espécimes raras (sapucaia, angico, cedro, imburana, pau-brasil, ipê, entre outras). "Sempre plantei ali, na região da Vila", diz.
Procurou acumular conhecimentos sobre o Meio Ambiente, e entre suas formações egistra: Curso sobre germinação de espécies do serrado; Técnica de tratamento de esgoto (físico, químico e biológico), pelo Instituto Latino Americano de Ciências e Tecnologias, do Rio de Janeiro; Instituto de Soluções Ambientais - Educatech, em São Paulo e, durante seis meses, frequentou o Curso de Gestão Ambiental, no Grupo Claretiano (desistiu por falta de condições financeiras).
Ao vê-lo aparentemente revoltado - o gesto característico é bater com uma ripa de Cumaru sobre uma região sólida-, dá para notar sua incompreensão diante da postura daqueles que são pagos pelo contribuinte para exercer funções públicas, mas que não o fazem, e o pior, costumeiramente apresentam desculpas, no famoso "mi-mi-mi", como se não soubessem dos problemas ao se candidatar.
Já dizia São Paulo, em sua primeira carta aos Coríntios: "A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum", e o nosso ilustre cidadão compreendeu que aí residia sua missão perante Deus e todos os seus semelhantes. A partir desse entendimento começou a amealhar o ódio dos poderosos, pois sempre teve a hombridade de denunciar atitudes ou omissões que ameaçavam a coletividade, entre as quais, destaco:
Impetrou ações contra o poder público, em problemas de desassoreamento, podas irregulares de árvores em vias públicas, ameaça de despejo de esgoto no rio Campestre, nas imediações do Centro de Ressocialização; Contra a Via Rondon (administradora da Rodovia Marechal Rondon), para a afixação de placas informativas de velocidades diferenciadas, em transporte de produtos químicos, nas proximidades dos rios Baixotes, Barro Preto, Campestre, Córregos do Viado e Viadinho, e mais uma dezena de cobranças.
Por causa disso tem sua integridade física ameaçada verbalmente e de forma indireta (recados covardes). Só do atual prefeito responde a oito processos, justamente por denunciar ações que julga em desacordo com a ética, moral e bons costumes.
Deixa bem claro que não tem desejo algum de ocupar quaisquer cargos eletivos, mas sabe de seu legado: "lutar por uma sociedade mais justa, mais humana e, sobretudo, que as crianças usufruam de um meio ambiente sadio, a exemplo de seus antepassados".
Deus escolheu Birigui para receber presente especial, um anjo protetor da natureza chamado Marcos Antonio dos Santos - o Marcos Cocada - a quem presto essa simples homenagem de agradecimento por sua passagem por esse planeta tão mal tratado, chamado Terra!
Nalberto Vedovotto é coach, jornalista e escritor em Birigui