O empresário Odair Soares, de Guararapes, sentiu no bolso o peso do aumento do valor do plano de saúde que ele pagava junto com a esposa, Vera Lúcia. Os dois gastavam, juntos, mais de R$ 1 mil por mês com uma operadora. Sem usar para quase nada, há cerca de três anos eles decidiram suspender o plano e procurar uma alternativa para não ficar sem assistência médica.
O gasto mensal caiu bastante e hoje eles pagam R$ 70 para toda a família. Quando precisam de uma consulta ou exame, pagam um valor muito mais acessível que o particular.
O serviço que eles contrataram é de uma intermediadora na área da saúde que atua na região de Araçatuba e São José do Rio Preto, a Medical. "A gente se informou aqui e conheceu a empresa e não tenho do que reclamar. Era muito dinheiro que a gente gastava. Pesava no bolso. Não dá para depender de SUS", conta.
De acordo com o sócio-proprietário, Tácio Campoi Marinho, a empresa faz a intermediação entre clientes e médicos de diversas especialidades, exames de imagem e laboratórios, odontologia, ortodontia dentre outros serviços.
"Nos últimos anos tivemos um aumento de 20% na adesão de novos clientes, mesmo sendo um ano de incertezas e instabilidades devido ao cenário nacional. Tivemos uma diminuição considerável na inadimplência, nossos clientes se fidelizarem depois de constatarem que a empresa realmente oferece um serviço de qualidade. Uma consulta médica no particular hoje gira em torno de R$ 400 e pela Medical nosso cliente paga R$ 140 com os médicos credenciados", afirma Tácio.
Esse tipo de serviço veio em uma época de crise para a saúde. Nos últimos quatro anos, o Brasil perdeu cerca de 3,2 milhões de usuários de planos de saúde. A maioria desses casos foi por causa do custo do serviço. Isso porque, de acordo com a ANS (Agência Nacional de Saúde), alguns planos de saúde tiveram reajuste de mais de 40% nesse mesmo intervalo de quatro anos.
Conforme a Agência, neste ano o Brasil conta com 47,2 milhões de usuários de planos de saúde, número bem inferior aos 50,4 milhões que o País tinha em 2014. São brasileiros que perderam renda e tiveram de abrir mão do plano.
Ainda de acordo com a ANS, mais de 100 planos encerraram suas atividades entre o fim de 2014 e maio deste ano. Para se manter no mercado, as operadoras tentam trocar fornecedores. Por outro lado, mais empresas estão adotando o modelo de coparti-cipação e outras, ainda, estão rebaixando a rede de benefícios, com a troca de hospitais e de categorias de planos.