O prefeito de Birigui, Cristiano Salmeirão (PTB), afirmou ontem à reportagem que o município não venderá sua água. Ele explicou que o projeto de concessão parcial da produção e abastecimento de água, protocolizado na Câmara de Birigui, não se trata da terceirização dos serviços de água e esgoto da cidade e não é semelhante à proposta de concessão integral do saneamento do município, que foi retirada de tramitação no Legislativo no fim do último mês de novembro pelo Executivo.
“Não vai vir Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), nem outra empresa, pois a administração da água continuará de Birigui”, assinalou o petebista. Segundo o chefe do Executivo, a propositura apenas dará continuidade ao modelo que foi adotado pela gestão do ex-prefeito Florival Cervelati em 1994, com o poço Áqua Pérola, e nos anos 200-04 com o poço Matéria.
De acordo com Salmeirão, a nova empresa a ser contratada por meio de licitação somente vai captar a água e o município vai comprá-la, como acontece hoje nos poços Matéria e Áqua Pérola. Atualmente, a prefeitura paga R$ 1,44 por metro cúbico de água. Após a contratação de nova empresa, o preço poderá ser de até R$ 1,55 por metro cúbico de água. O chefe do Executivo afirmou que a concessão parcial não aumentará a conta de água e esgoto para o consumidor. A concessão durará 15 anos e, em seguida, os poços voltarão para a administração municipal.
Conforme Salmeirão, a empresa que será contratada ficará responsável também pela perfuração do poço profundo que ficará no bairro Portal da Pérola 2. O prefeito esclareceu que a vencedora da licitação não irá apenas perfurar o poço, mas também equipá-lo com o que for necessário para seu funcionamento.
O petebista argumentou que a concessão parcial da água - que não significa privatização dos serviços de saneamento - é necessária para a realização de investimentos que precisam ser feitos, que custarão cerca de R$ 30 milhões, como reparos no poço Matéria, interligação dos poços e setorização.
Salmeirão comentou que a aprovação do projeto é importante para que o município não sofra com a falta de água. “Deixaram Birigui entrar em colapso hídrico. Desde 2008, o Ministério das Cidades avisou que isso ia acontecer”, falou o prefeito.
Ele acrescentou que, atualmente, faltam 4 milhões de litros de água por dia em Birigui, sendo que, após a perfuração do poço no Portal da Pérola 2, que deverá levar de seis a oito meses para ser concluída, a cidade terá superávit de água no patamar de 8 milhões de litros.