OPERAÇÃO PRAZO FINAL

Suspeitos cobravam juros de até 60% e ameaçavam famílias

Por Vitor Moretti | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Vitor Moretti | Folha da Região
De acordo com o delegado Flávio Soares Alves de Miranda, a investigação identificou dois grupos distintos, que não tinham ligação, mas que mantinham o mesmo modo de operação
De acordo com o delegado Flávio Soares Alves de Miranda, a investigação identificou dois grupos distintos, que não tinham ligação, mas que mantinham o mesmo modo de operação

A Polícia Civil prendeu quatro investigados durante a Operação Prazo Final, deflagrada na manhã desta segunda-feira (14), em Araçatuba. A investigação apura crimes de agiotagem, extorsão, roubo, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Segundo a polícia, mais de 20 vítimas já foram identificadas e o prejuízo estimado chega a R$ 300 mil.

A DIG (Delegacia de Investigações Gerais) cumpriu quatro mandados de prisão temporária e nove de busca e apreensão. A operação mobilizou 36 policiais civis, divididos em nove equipes.

De acordo com o delegado Flávio Soares Alves de Miranda, responsável pela operação ao lado do delegado Igor Alberto Figueiredo, a investigação identificou dois grupos distintos. Eles não teriam ligação entre si, mas adotariam formas semelhantes de atuação.

Juros chegavam a 60%

Segundo o delegado, os investigados emprestavam dinheiro com juros que chegavam a 40%, 50% e 60%, além de estabelecer prazos curtos para pagamento. Quando a vítima não conseguia quitar a dívida, começavam as ameaças.

Em um dos casos identificados pela investigação, uma pessoa recebeu empréstimo de R$ 500. Após aproximadamente três meses, o agiota teria passado a cobrar R$ 10 mil.

Flávio explicou que um dos modelos identificados previa empréstimo de R$ 500 para pagamento de R$ 600 em 15 dias. Quando a vítima não conseguia pagar, porém, a dívida continuava aumentando.

Segundo a Polícia Civil, algumas vítimas recorriam aos empréstimos diante de dificuldades financeiras e, posteriormente, entravam em um ciclo de cobranças e ameaças.

Ameaças atingiam familiares

A investigação aponta que integrantes dos grupos teriam usado ameaças para cobrar as dívidas. Conforme o delegado, eles enviavam fotos de simulacros de armas de fogo e também ameaçavam familiares das vítimas.

A polícia investiga ainda situações em que os suspeitos teriam tomado objetos pessoais como forma de cobrança.

De acordo com Flávio, conversas analisadas durante a investigação mostram integrantes dos grupos comentando entre si as cobranças. Segundo ele, os suspeitos teriam feito piadas sobre ameaças e a retirada de bens das vítimas.

Ainda conforme o delegado, alguns investigados combinavam quem faria determinada cobrança, levando em consideração quem teria maior capacidade de intimidar a vítima.

Investigação começou após roubo

A Operação Prazo Final teve origem na investigação de um boletim de ocorrência de roubo. Durante as diligências, a DIG cumpriu mandado de busca e apreensão na residência de um dos investigados e apreendeu um celular.

A análise do aparelho, segundo Flávio, levou os investigadores à identificação da suposta rede de agiotagem. A polícia concluiu que o roubo investigado inicialmente estaria relacionado à cobrança de uma dívida.

Nesse caso, conforme a investigação, um suspeito teria tomado o celular da vítima como forma de cobrança. Depois, ainda segundo o delegado, ele teria comentado o episódio em conversas pelo WhatsApp.

A partir desse material, a Polícia Civil chegou aos dois núcleos investigados.

Polícia apura lavagem de dinheiro

A investigação também apura indícios de lavagem de dinheiro. Segundo Flávio, os dois grupos utilizariam contas bancárias de terceiros para movimentar valores provenientes da suposta agiotagem.

De acordo com o delegado, a prática teria como objetivo mascarar a origem do dinheiro, utilizando contas que não pertenciam diretamente aos investigados.

Durante a operação desta segunda-feira, os policiais apreenderam seis celulares, aproximadamente R$ 350 em dinheiro e anotações relacionadas à suposta prática de agiotagem. O material será analisado pela equipe responsável pela investigação.

Mais de 20 vítimas

Até o momento, a Polícia Civil identificou mais de 20 vítimas, mas a investigação continua e pode resultar na descoberta de outros casos.

Segundo Flávio, a estimativa inicial aponta prejuízo de aproximadamente R$ 300 mil. Os casos estariam espalhados por Araçatuba, sem concentração em um bairro específico.

A polícia pretende ouvir as vítimas nos próximos dias para avançar na conclusão dos inquéritos. Novas investigações também poderão ser abertas conforme surjam outros elementos.

As quatro prisões cumpridas nesta segunda-feira são temporárias, com prazo inicial de cinco dias e possibilidade de prorrogação por mais cinco. Posteriormente, segundo o delegado, a Polícia Civil poderá representar pela prisão preventiva dos investigados.

Flávio afirmou ainda que a DIG apura a possível atuação de outros grupos suspeitos de crimes semelhantes em Araçatuba.

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