Após os recentes casos de pacientes que morreram enquanto aguardavam transferência para hospitais de maior complexidade na região de Araçatuba, o Governo do Estado anunciou a ampliação da estrutura hospitalar para atender a demanda do Sistema Único de Saúde (SUS). As medidas incluem novos leitos em Mirandópolis, Araçatuba e Ilha Solteira.
Em entrevista exclusiva, o diretor do Departamento Regional de Saúde (DRS-2) de Araçatuba, Francisco Bassalobre, afirmou que os investimentos fazem parte de um plano iniciado nos últimos anos para ampliar a capacidade da rede pública e reduzir a pressão sobre os hospitais da região.
O principal investimento está no Hospital Estadual de Mirandópolis, que já ampliou sua capacidade de atendimento de 40 para 67 leitos e deverá chegar a 117 leitos até o fim deste ano, incluindo vagas destinadas à psiquiatria. "Você praticamente dobra o número de leitos de média complexidade na região", destacou Bassalobre.
Segundo ele, a ampliação permitirá que pacientes atualmente atendidos no Pronto-Socorro Municipal de Araçatuba sejam transferidos para Mirandópolis, criando uma retaguarda para a Santa Casa.
Falta de investimentos
Durante a entrevista, o diretor afirmou que a atual pressão sobre o sistema de saúde é resultado de um problema que se arrasta há vários anos. "Nos últimos anos não houve investimento em leitos de média complexidade na cidade de Araçatuba."
Bassalobre explicou que a Santa Casa foi estruturada para atender casos de alta complexidade, mas acabou absorvendo uma demanda muito maior de pacientes de média complexidade. "A Santa Casa foi feita para atender alta complexidade. Hoje, mais de 80% da demanda é de média complexidade. Isso atrapalha muito a atuação na alta complexidade e também não há leitos suficientes para o município."
De acordo com ele, a desativação de hospitais e a ausência de ampliação da estrutura acompanharam o crescimento populacional da região. "A população cresceu e o município não aumentou o número de leitos."
O diretor ressaltou, no entanto, que a solução depende da atuação conjunta entre Estado, município e hospitais. Bassalobre também destacou que o novo Pronto-Socorro Municipal de Araçatuba também poderá auxiliar a desafogar a demanda por vagas.
Novos investimentos
Além da expansão em Mirandópolis, o diretor confirmou que a Santa Casa de Araçatuba continuará ampliando sua capacidade. A UTI Pediátrica, que passou de 20 para 30 leitos, deverá chegar a 40 vagas, enquanto setores de enfermaria e clínica médica passam por reestruturação.
Em Ilha Solteira, também está prevista a abertura de mais dez leitos de UTI adulto. Bassalobre informou ainda que, desde a criação da Tabela SUS Paulista, cerca de 240 leitos foram reativados na região, entre unidades estaduais e hospitais conveniados.
CROSS
Questionado sobre críticas ao sistema de regulação de vagas (CROSS), o diretor explicou que atualmente a gestão é centralizada pelo Estado e que uma eventual regionalização é estudada, mas deverá ocorrer de forma gradual.
Segundo ele, a mudança depende da ampliação da estrutura hospitalar e da reorganização da rede de atendimento. "Não é uma coisa de um dia para o outro. É um processo que precisa ser feito com calma, adequando os hospitais, os municípios e toda a região."
Hospital Regional de Birigui
Outro projeto citado pelo diretor é o Hospital Regional de Birigui. Segundo Bassalobre, a obra está com aproximadamente 30% de execução e a previsão é concluir a estrutura física até o fim de 2027. A expectativa é que a unidade entre em funcionamento em 2028, após a instalação dos equipamentos e contratação das equipes.
Mensagem à população
Ao comentar os recentes episódios envolvendo pacientes que aguardavam vagas hospitalares, o diretor afirmou que os investimentos devem trazer melhorias progressivas para a assistência na região.
"O Estado e os municípios vão continuar fazendo o máximo possível para adequar essa situação. Houve um investimento muito grande em saúde na região e a tendência é sempre melhorar."
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