DOR

Caso Esther: família registra BO e cobra apuração da morte

Por Vitor Moretti/Da Redação |
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/Arquivo pessoal
Esther Aparecida Ramos de Oliveira Santos tinha 32 anos e deixou dois filhos, um menino de três anos e uma bebê, de apenas quatro meses
Esther Aparecida Ramos de Oliveira Santos tinha 32 anos e deixou dois filhos, um menino de três anos e uma bebê, de apenas quatro meses

A morte de Esther Aparecida Ramos de Oliveira Santos, de 32 anos, continua repercutindo em Araçatuba. Nesta terça-feira (14), o irmão da jovem registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil pedindo a apuração das circunstâncias que antecederam o óbito, ocorrido na última quinta-feira (9), após uma sequência de atendimentos em unidades de saúde do município.

Convivente de Esther há 14 anos, Jonathan Junio afirma que a companheira procurou atendimento diversas vezes por causa da piora do quadro clínico, mas acabou recebendo alta em todas as ocasiões. Segundo ele, os primeiros sintomas surgiram no fim de junho, com falta de ar e mal-estar, evoluindo rapidamente.

"Um pouquinho que ela andava, dois passos que ela dava, já sentia falta de ar. E ela falava para eu cuidar das crianças porque ela estava partindo. Eu dizia para ela parar de falar isso", relatou. O casal tem dois filhos: um menino de três anos e uma bebê de apenas quatro meses. Esther estava afastada do trabalho em razão da licença-maternidade.

Cronologia

De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela família, Esther procurou o Pronto-Socorro Municipal pela primeira vez em 25 de junho, apresentando sintomas gripais. Ela realizou exames, incluindo radiografia do tórax, recebeu medicação e foi liberada.

Três dias depois, em 28 de junho, retornou com piora do quadro, relatando falta de ar, dor no peito e formigamento no braço. Segundo o registro, houve alteração na medicação e nova alta médica.

Em 1º de julho, a paciente buscou atendimento na UBS São José, onde teria sido orientada a retornar imediatamente ao pronto-socorro devido à gravidade do caso.

No dia seguinte, 2 de julho, voltou ao Pronto-Socorro Municipal após ser levada pelo SAMU. Conforme o boletim, um médico descartou pneumonia e levantou a hipótese de crise de ansiedade. Durante o atendimento, também foi cogitada a possibilidade de problemas na vesícula, sendo orientada a realizar ultrassonografia em clínica particular.

Na noite de 3 de julho, Esther procurou novamente a UBS São José, recebeu medicação, permaneceu em observação por cerca de uma hora e foi liberada.

Já em 6 de julho, retornou à UBS. Os profissionais da unidade, segundo o boletim, solicitaram sua transferência urgente ao pronto-socorro diante da suspeita de embolia pulmonar. Ela foi encaminhada pelo SAMU, realizou novos exames, mas recebeu outra alta médica na madrugada do dia 7, mesmo, segundo a família, apresentando intensa falta de ar e dificuldade para caminhar.

Morte em casa

Na tarde de 9 de julho, Esther voltou a passar mal dentro de casa e morreu antes de conseguir atendimento. Imagens gravadas por uma vizinha mostram a chegada da equipe do SAMU à residência.

Pouco antes da morte, segundo o registro policial, Esther apresentou vômito, evacuação e começou a ficar arroxeada.

Para Jonathan, houve falha no atendimento recebido. "Como que um médico profissional libera uma pessoa nessa situação?"

Em outro trecho da entrevista, ele desabafa: "Foi negligência, sim. Porque não foi de ontem. Ela vinha procurando atendimento e sempre diziam que era pneumonia, depois problema no pulmão. Ela voltava para casa e continuava piorando."

Boletim de ocorrência

O boletim registrado na Polícia Civil reúne o relato cronológico da família sobre os atendimentos realizados entre o fim de junho e o início de julho e solicita a apuração dos fatos.

O documento informa ainda que a certidão de óbito registra, inicialmente, a causa da morte como "causa indeterminada" e que o caso será encaminhado para outra unidade policial responsável pela investigação.

Prefeitura instaurou apuração

Em nota divulgada anteriormente, a Prefeitura de Araçatuba lamentou a morte da paciente e informou que requisitou à Associação Filantrópica Nova Esperança (AFNE), responsável pela gestão do Pronto-Socorro Municipal, todos os prontuários, registros clínicos e gravações dos atendimentos realizados.

O município também informou que o caso será analisado pelo Comitê Municipal de Mortalidade, responsável pela avaliação técnica das circunstâncias do óbito.

A administração municipal afirma que acompanhará as apurações e adotará as medidas cabíveis após a conclusão das análises.

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