Um momento de sensibilidade e humanização marcou a rotina da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Araçatuba nesta terça-feira (16). Internado há mais de 150 dias na UTI 1, um paciente de 53 anos, vítima da Síndrome de Guillain-Barré, realizou dois desejos que carregava desde o início da longa internação: voltar a sentir o sol, ver as árvores e tomar um sorvete.
Lavrador de uma cidade da região, o paciente enfrenta uma batalha contra a doença neurológica que o deixou dependente de aparelhos e de cuidados intensivos. Apesar da complexidade do quadro, a evolução clínica permitiu que médicos, enfermeiros e fisioterapeutas elaborassem uma operação especial para retirá-lo da UTI de forma segura.
Acompanhado por uma equipe multidisciplinar, ele foi levado até uma área verde da Santa Casa, onde pôde passar alguns minutos ao ar livre, em contato com a natureza. Sob a sombra de uma árvore, contemplou o céu e o ambiente externo, algo que não fazia havia mais de cinco meses.
Além do passeio, o paciente realizou outro desejo simples, mas carregado de significado: saborear um sorvete, providenciado pelos profissionais que acompanham sua recuperação.
O médico intensivista Fábio Bombarda participou da ação e destacou a importância do momento para o tratamento.
“É um pequeno gesto, mas que faz a diferença no tratamento”, afirmou.
A iniciativa reforça a importância da humanização hospitalar, especialmente para pacientes submetidos a longos períodos de internação.
O que é a Síndrome de Guillain-Barré?
A Síndrome de Guillain-Barré é uma doença neurológica rara e grave em que o próprio sistema imunológico passa a atacar os nervos periféricos do corpo.
Os principais sintomas costumam começar com fraqueza e formigamento nas pernas, podendo evoluir rapidamente para os braços e outras partes do corpo. Em casos mais graves, a doença provoca paralisia muscular e compromete a respiração, exigindo internação em UTI e suporte por aparelhos.
A síndrome geralmente surge após infecções virais ou bacterianas e, embora não tenha cura imediata, muitos pacientes conseguem recuperar os movimentos gradativamente com tratamento adequado, fisioterapia e acompanhamento médico especializado.
A recuperação pode levar semanas, meses ou até anos, dependendo da gravidade do caso. No caso do paciente da Santa Casa de Araçatuba, a melhora clínica tem permitido avanços importantes, mesmo após mais de cinco meses de internação intensiva.
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