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Variação nas taxas dos aplicativos tem dificultado o trabalho dos motoristas

Variação nas taxas dos aplicativos tem dificultado o trabalho dos motoristas

Por Da Redação | 30/01/2022 | Tempo de leitura: 4 min

Por Da Redação
30/01/2022 - Tempo de leitura: 4 min

DESCASO A Uber foi o aplicativo mais criticado. Quando solicitada a viagem, ele não mostra distância e nem destino para que os motoristas não recusem a corrida (Foto: Divulgação)

ARAÇATUBA Trabalhadores contam para a Folha da Região sobre as dificuldades da categoria e orientam sobre a demanda e oferta por meio das plataformas

Francielle Ribeiro

Com a chegada da pandemia em 2020 e o aumento dos combustíveis, os motoristas de aplicativos têm tido dificuldades com o rendimento. Em entrevista para a Folha da Região, os trabalhadores falaram sobre as condições de trabalho.

Após diversas reclamações de motoristas e passageiros, aplicativos como Uber e 99 alteraram suas taxas para motoristas em setembro de 2021. As marcas anunciaram que haveria aumento no repasse para os motoristas, porém, o que houve foi um reajuste nos preços e uma alteração na taxa fixa, que era de 20 a 25%. Agora, o desconto no valor das corridas para os motoristas tem variado de 25 a 40% na Uber e na 99 o aumento foi de 15%. Enquanto isso para os passageiros o valor se manteve. Na época, de acordo com o presidente da Associação de Motoristas de Aplicativos de São Paulo, Eduardo Lima de Souza, 25% dos motoristas de aplicativo deixaram de trabalhar para as plataformas.

Por meio de grupos de whatsapp, os motoristas da região de Araçatuba, trocam informações. Valdir Silva, 59 anos, é vigilante, garçom, motorista e administrador de um desses grupos. Para ele, desde o início da pandemia em 2020, cerca de 400 companheiros de trabalho pararam com a função.

"A Uber costuma cobrar de 25 a 45% das corridas. Se uma corrida sai por R$12,00 é descontado do motorista em torno de R$3,00 a R$4,00. Porém, esse valor de R$9,00 ou R$8,00 que fica pro trabalhador, não supre o caminho percorrido até chegar ao passageiro, que é em torno de 3 a 6km, e também não supre a viagem completa", afirma.

Entre os motoristas existem variadas condições para trabalhar, alguns têm carro próprio e outros alugam o veículo. Para além, existem os gastos com abastecimento, manutenção e limpeza dos carros.

Alex Damiani, 41 anos, é motorista por aplicativos e conta que para ter um lucro satisfatório ele precisa trabalhar cerca de 12 a 14 horas por dia e reclama da falta de preocupação das marcas com a categoria.

"As plataformas não dão a mínima para os motoristas e muitos passageiros não sabem que quase metade do valor da corrida fica com as plataformas. Nós estamos com uma despesa muito alta por conta do aumento do combustível e a manutenção dos carros. Vários motoristas não conseguem nem trocar de carro. O desgaste tem sido tão grande que alguns tem desistido", conta.

 Outra contradição das marcas são os descontos cedidos aos passageiros em comparação ao valor repassado para o motorista. "Vou colocar um exemplo da corrida com valor mínimo pela categoria Uber X, digamos que o motorista esteja 3 km de distância de um passageiro e ele aceita a corrida. Chegando lá o passageiro vai bem pertinho onde ele anda no máximo 2km. A Uber repassa para o motorista apenas 3,75 e o mesmo rodou 5 km. Isso é um prejuízo sem sombra de dúvida", afirma Alex.

DEMANDA X PROCURA

Para os motoristas a busca pelo transporte por aplicativos tem se mantido estável, porém, com os conflitos nas condições de trabalho, os passageiros têm tido dificuldades para encontrar motoristas em categorias comuns dos aplicativos, como UberX e 99 Pop.

Para Isac Pereira, 60 anos, que é professor e motorista para complementar a renda, os aplicativos são bem aceitos pelas pessoas e existem muitas procuras. "Os aplicativos até que são bons e os passageiros têm consumido bastante, mas muitos não entendem que o motorista não tem controle sobre as questões dos valores. Alguns até reclamam do preço e de alguns ajustes. Mas isso é uma conseqüência pela falta de atenção das marcas com os trabalhadores", afirma.

Diante de toda a situação, os motoristas têm dado preferência a determinadas categorias de corridas dentro dos aplicativos. "Eu dou preferência para o Uber Comfort e o aplicativo Toindo. A UberX eu só trabalho, caso tenha um valor alto, porque realmente não compensa, muitas vezes é prejudicial buscar um passageiro com 6km de distância. E é justamente por conta de todas essas questões que têm sido difícil para os passageiros encontrem corridas em categorias comuns", conta Alex.

Para Valdir, as atividades continuam nas condições que estão. "Tenho que ficar satisfeito, é a única coisa que temos no momento. Tenho pagado minhas contas, carro, seguro e sobra para a alimentação. Tenho me mantido com as demandas, mesmo que trabalhando muito mais", afirma.

Para eles é necessário que os passageiros tenham conhecimento dessas condições para que passem a procurar corridas com valores mais justos e ajudar os profissionais a se manterem na área.

APLICATIVOS DA REGIÃO

Atualmente novos aplicativos na região têm surgido para transporte como o 018, o Indrivers e Toindo. De acordo com os trabalhadores, essas novas plataformas têm dado mais atenção para essas condições de trabalho e taxas justas.

"Ouvi dizer que não tem mais UBER E 99 na cidade... Tem sim, mas além deles, temos também o Toindo e Indravers que são aplicativos da região", comenta Valdir.

"O que eu mais dou preferência é o aplicativo Toindo porque ele tem uma taxa mais baixa para o motorista. É necessário valorizar o passageiro, mas também o trabalhador. Muitas vezes a corrida sai mais baixa para o passageiro mas o motorista ganha mais por conta da taxa menor. Pela Uber e 99 é impossível buscar clientes com mais de 4km. Esses aplicativos regionais dialogam mais com a nossa realidade", conclui Alex.

ARAÇATUBA Trabalhadores contam para a Folha da Região sobre as dificuldades da categoria e orientam sobre a demanda e oferta por meio das plataformas

Francielle Ribeiro

Com a chegada da pandemia em 2020 e o aumento dos combustíveis, os motoristas de aplicativos têm tido dificuldades com o rendimento. Em entrevista para a Folha da Região, os trabalhadores falaram sobre as condições de trabalho.

Após diversas reclamações de motoristas e passageiros, aplicativos como Uber e 99 alteraram suas taxas para motoristas em setembro de 2021. As marcas anunciaram que haveria aumento no repasse para os motoristas, porém, o que houve foi um reajuste nos preços e uma alteração na taxa fixa, que era de 20 a 25%. Agora, o desconto no valor das corridas para os motoristas tem variado de 25 a 40% na Uber e na 99 o aumento foi de 15%. Enquanto isso para os passageiros o valor se manteve. Na época, de acordo com o presidente da Associação de Motoristas de Aplicativos de São Paulo, Eduardo Lima de Souza, 25% dos motoristas de aplicativo deixaram de trabalhar para as plataformas.

Por meio de grupos de whatsapp, os motoristas da região de Araçatuba, trocam informações. Valdir Silva, 59 anos, é vigilante, garçom, motorista e administrador de um desses grupos. Para ele, desde o início da pandemia em 2020, cerca de 400 companheiros de trabalho pararam com a função.

"A Uber costuma cobrar de 25 a 45% das corridas. Se uma corrida sai por R$12,00 é descontado do motorista em torno de R$3,00 a R$4,00. Porém, esse valor de R$9,00 ou R$8,00 que fica pro trabalhador, não supre o caminho percorrido até chegar ao passageiro, que é em torno de 3 a 6km, e também não supre a viagem completa", afirma.

Entre os motoristas existem variadas condições para trabalhar, alguns têm carro próprio e outros alugam o veículo. Para além, existem os gastos com abastecimento, manutenção e limpeza dos carros.

Alex Damiani, 41 anos, é motorista por aplicativos e conta que para ter um lucro satisfatório ele precisa trabalhar cerca de 12 a 14 horas por dia e reclama da falta de preocupação das marcas com a categoria.

"As plataformas não dão a mínima para os motoristas e muitos passageiros não sabem que quase metade do valor da corrida fica com as plataformas. Nós estamos com uma despesa muito alta por conta do aumento do combustível e a manutenção dos carros. Vários motoristas não conseguem nem trocar de carro. O desgaste tem sido tão grande que alguns tem desistido", conta.

 Outra contradição das marcas são os descontos cedidos aos passageiros em comparação ao valor repassado para o motorista. "Vou colocar um exemplo da corrida com valor mínimo pela categoria Uber X, digamos que o motorista esteja 3 km de distância de um passageiro e ele aceita a corrida. Chegando lá o passageiro vai bem pertinho onde ele anda no máximo 2km. A Uber repassa para o motorista apenas 3,75 e o mesmo rodou 5 km. Isso é um prejuízo sem sombra de dúvida", afirma Alex.

DEMANDA X PROCURA

Para os motoristas a busca pelo transporte por aplicativos tem se mantido estável, porém, com os conflitos nas condições de trabalho, os passageiros têm tido dificuldades para encontrar motoristas em categorias comuns dos aplicativos, como UberX e 99 Pop.

Para Isac Pereira, 60 anos, que é professor e motorista para complementar a renda, os aplicativos são bem aceitos pelas pessoas e existem muitas procuras. "Os aplicativos até que são bons e os passageiros têm consumido bastante, mas muitos não entendem que o motorista não tem controle sobre as questões dos valores. Alguns até reclamam do preço e de alguns ajustes. Mas isso é uma conseqüência pela falta de atenção das marcas com os trabalhadores", afirma.

Diante de toda a situação, os motoristas têm dado preferência a determinadas categorias de corridas dentro dos aplicativos. "Eu dou preferência para o Uber Comfort e o aplicativo Toindo. A UberX eu só trabalho, caso tenha um valor alto, porque realmente não compensa, muitas vezes é prejudicial buscar um passageiro com 6km de distância. E é justamente por conta de todas essas questões que têm sido difícil para os passageiros encontrem corridas em categorias comuns", conta Alex.

Para Valdir, as atividades continuam nas condições que estão. "Tenho que ficar satisfeito, é a única coisa que temos no momento. Tenho pagado minhas contas, carro, seguro e sobra para a alimentação. Tenho me mantido com as demandas, mesmo que trabalhando muito mais", afirma.

Para eles é necessário que os passageiros tenham conhecimento dessas condições para que passem a procurar corridas com valores mais justos e ajudar os profissionais a se manterem na área.

APLICATIVOS DA REGIÃO

Atualmente novos aplicativos na região têm surgido para transporte como o 018, o Indrivers e Toindo. De acordo com os trabalhadores, essas novas plataformas têm dado mais atenção para essas condições de trabalho e taxas justas.

"Ouvi dizer que não tem mais UBER E 99 na cidade... Tem sim, mas além deles, temos também o Toindo e Indravers que são aplicativos da região", comenta Valdir.

"O que eu mais dou preferência é o aplicativo Toindo porque ele tem uma taxa mais baixa para o motorista. É necessário valorizar o passageiro, mas também o trabalhador. Muitas vezes a corrida sai mais baixa para o passageiro mas o motorista ganha mais por conta da taxa menor. Pela Uber e 99 é impossível buscar clientes com mais de 4km. Esses aplicativos regionais dialogam mais com a nossa realidade", conclui Alex.

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